"My Asian Movies" マイアジアンムービース

"MY ASIAN MOVIES"マイアジアンムービース - UM BLOGUE MADEIRENSE DEDICADO AO CINEMA ASIÁTICO E AFINS!!!

Quarta-feira, Dezembro 09, 2009

“Testemunhos” de Takeo Maruyama (“Asian Fury”)

Takeo In Japan

O convidado desta semana é Takeo Maruyama, um descendente de japoneses, nascido no Brasil e que viveu parte da sua vida no país do sol nascente. Trata-se do simpático e prestável administrador do conhecido “Asian Fury” (para aceder, cliquem na foto acima). O Takeo tem sido dos “bloggers” dedicados ao cinema asiático que tenho convivido bastante (infelizmente, de forma virtual), e que há mais tempo tem aparecido pelo “My Asian Movies”, dando sugestões pertinentes acerca dos filmes que por aqui coloco, e até na rubrica das beldades da cultura asiática, quando calha colocar alguma foto que não corresponde à beleza em questão. Como facilmente se depreende quando acedemos ao site do Takeo, a sua predilecção são os “filmes de porrada”, com especial incidência no “Kung Fu Old School”. No entanto, o conteúdo do espaço do Takeo não se resume apenas aos filmes de artes marciais mais tradicionais, e frequentemente, existem incursões noutros géneros. Vale bem aceder ao “Asian Fury”, pois o Takeo tem um especial cuidado nas análises dos filmes, não facultando apenas a sua opinião, mas igualmente postando imagens bem emblemáticas e dando-nos a conhecer diversas curiosidades. Essencial, para aumentar a nossa cultura cinematográfica!

Abaixo fica o registo da entrevista.

“My Asian Movies”: O que achas que distingue genericamente a cinematografia oriental das demais?

Takeo Maruyama: Analisando dentro da minha área, que são os filmes de ação, especialmente os de Hong Kong, concluí o seguinte : os orientais têm um carisma diferente dos ocidentais.

“M.A.M.”: O que te fascina mais neste tipo de cinema?

T.M. : O dinamismo das sequencias de ação e a genialidade das coreografias de lutas.

“M.A.M.”: Tens ideia de qual o primeiro filme oriental que visionaste?

T.M. : Não lembro exatamente o primeiro que visionei, mas lembro claramente o primeiro que me impressionou : Snake In The Eagle's Shadow, de Yuen Woo Ping, com um dos meus maiores ídolos Jackie Chan.

“M.A.M.”: Qual o país que achas, regra geral, põe cá para fora as melhores obras? No fundo, a tua cinematografia oriental favorita?

T.M. : Sem dúvida, Hong Kong! Concluo isso pelo conjunto da obra, por tudo que a indústria cinematográfica de Hong Kong produziu desde o fim da década de 60, pois nos últimos anos poucos filmes de lá tem me impressionado. Embora Tailândia, Malásia, Japão, Coréia do Sul e até Vietnã e Singapura tenham produzido excelentes filmes de ação, o indústria de filmes de ação de Hong Kong é a mais importante do mundo na minha opinião, mesmo com a fraca produção atual.

“M.A.M.”: E já agora, qual o género com o qual te identificas mais? És mais virado (a) para o drama, épico, wuxia, “Gun-fu”...

T.M. : Já tive a minha fase Heroic Bloodshed, mas o meu gênero favorito é definitivamente o Kung Fu Old School, especialmente do sub-gênero Shapes. Porém, nos últimos 2 anos eu tenho me aprofundado bastante nos filmes de zumbis chineses saltitantes, os famosos keung-sze (ou jiang shi em mandarim), imortalizados na obra-prima Mr. Vampire, de Ricky Lau.

“M.A.M.”: Uma tentativa de top 5 de filmes asiáticos?

T.M. : Eu simplesmente ODEIO quando me pedem pra fazer um top, seja 5, 10 ou mesmo 50, pois os meus favoritos mudam toda semana e sempre vai ficar alguma coisa boa de fora, sem contar que, como sou um colecionador compulsivo, sempre adquiro filmes novos e antigos pro meu acervo e eventualmente descubro alguma obra-prima esquecida. Mas farei um esforço pra escolher os meus 5 favoritos.

  • Mr. Vampire : o filme que desencadeou a explosão dos filmes de keung sze na segunda metade dos anos 80. Teve muitas continuações e imitações, quase todas elas ótimas, mas nenhuma supera o original.

  • Fist Of Legend : a melhor versão da estória de Chen Zhen não é a de Bruce Lee e muito menos a de Donnie Yen, mas sim de Jet Li!

  • Operation Condor : Armour Of God 2 : embora Drunken Master 1 e 2, Snake In The Eagle's Shadow, The Fearless Hyena e Police Story tenham lugar garantido na minha lista de preferidos, considero Operation Condor um dos filmes mais criativos, completos, equilibrados - em suma, perfeito - de Jackie Chan. Possui cenas de ação simplesmente espetaculares e momentos cômicos divertidíssimos.

  • Tiger Cage 2 : reconheço que como uma produção cinematográfica Tiger Cage 1 é superior, mas como entretenimento Tiger Cage 2 é a melhor coisa que Yuen Woo Ping e Donnie Yen fizeram juntos! Já devo ter visto esse filme umas 20 vezes em VHS e mais umas 10 vezes em DVD!

  • The Avenging Boxer : após a revolução causada por Jackie Chan e Yuen Woo Ping com as obras-primas Snake In The Eagle's Shadow e Drunken Master, surgiram dezenas de imitadores, quase todos muito talentosos atuando em filmes excelentes. Peter Chen Lung foi um desses imitadores que infelizmente não teve o talento devidamente reconhecido e caiu no esquecimento. The Avenging Boxer é um filme que eu vi quando criança na casa de um tio, gravado da TV japonesa numa fita VHS importada. Uma grande pérola desconhecida.

“M.A.M”: Realizador asiático preferido?

T.M. : Dos antigos, provavelmente Sun Chung, que com seu estilo sofisticado dirigiu obras-primas tanto no gênero Kung Fu Old School (Avenging Eagle, The Master Strikes Back, A Fist Full Of Talons) quanto no gênero Heroic Bloodshed (City War).

Dos atuais, o mais me impressionou nos últimos anos foi Johnnie To. Mas em termos de ação, os tailandeses Panna Rittikrai e Prachya Pinkaew atualmente são os mestres!

“M.A.M.”: Já agora, actor e actriz?

T.M. : Sem levar em conta suas habilidades interpretativas - que são medíocres - os meus atores (prefiro chamá-los de performers) favoritos são a lenda viva Yasuaki Kurata e a sensacional Yukari Oshima, por terem sido ambos artistas marciais japoneses que conquistaram o respeito da indústria de Hong Kong. Confesso que as minhas raízes japonesas influenciaram um pouco as escolhas, he, he, he.

P.S. : Uma das metas da minha vida é conseguir toda a filmografia do Kurata. Por enquanto tenho apenas 59 filmes dele.

“M.A.M.”: Um filme oriental sobrevalorizado e outro subvalorizado?

T.M. : Sobrevalorizado? Definitivamente Hero de Zhang Yimou!!! Um belíssimo filme, sem sombra de dúvidas, mas muito pretensioso. Parece que Yimou filmou cada uma das cenas do filme pensando : “Vejam como sou genial!”. Perdoe-me, Jorge, pois sei que adoras esse filme, he, he, he.

Agora, um dos filmes que eu considero mais injustiçados do cinema asiático é Miracles, de Jackie Chan. Cansado de ser acusado de cineasta medíocre, Chan atuou e dirigiu esse remake de 2 clássicos de Frank Capra, Lady For a Day (1933) e Pocketful Of Miracles (1961). A Golden Harvest investiu uma fortuna em sua produção, com uma excelente constituição de época, filmando nos antigos estúdios da Shaw Brothers, e Jackie Chan inovou até nos movimentos de câmera, sofisticados e intrincados, sem esquecer das suas coreografias criativíssimas. Miracles foi até que bem recebido pela crítica, mas o resultado nas bilheterias foi desapontador comparado com o que foi investido pelo estúdio. Infelizmente até hoje esse filme é pouco lembrado. Tenho certeza de que a maioria dos críticos de Jackie Chan nunca ouviu falar desse filme, por isso acham que seus filmes não têm nenhum valor artístico.

“M.A.M.”: A difusão do cinema oriental está bem no teu país, ou ainda há muito para fazer?

T.M. : Até há alguns anos atrás nós tínhamos no Brasil um selo excelente chamado China Video, que tinha em seu catálogo centenas de clássicos de Hong Kong e vários filmes japoneses e sul-coreanos. Inclusive eles lançaram no Brasil vários daqueles clássicos da Shaw Brothers remasterizados pela Celestial muito antes dos americanos começarem a lançar em R1, o que considerei uma iniciativa corajosa e profundamente admirável! Infelizmente a China Video encerrou as atividades já fazem uns 2 anos.

Existia também um selo mais popular chamado Works que lançou no Brasil dezenas de filmes de kung fu obscuros, geralmente de domínio público. Apesar da baixa qualidade de seus lançamentos, era uma boa oportunidade de se adquirir grandes pérolas do cinema B chinês a preços baixos. Eles também já não lançam nada há alguns anos.

Desde então só as grandes produções asiáticas mais conhecidas têm sido lançadas em solo brasileiro por distribuidoras mainstream. Pra colecionadores hardcore como eu, é muito pouco.

“M.A.M.”: Que conselho darias a quem tem curiosidade em conhecer o cinema oriental, mas sente-se algo reticente?

T.M. : Procure por filmes asiáticos compatíveis com o seu gosto. Se uma pessoa gosta de dramas e filmes de arte europeus, certamente vai odiar Jackie Chan e Stephen Chow, assim como um fã de Stallone e Schwarzenegger vai dormir num filme de Wong Kar Wai. O importante é saber que existem filmes asiáticos de todos os gêneros, e também filmes bons e ruins em qualquer gênero. Uma boa dica é procurar informações em blogues excelentes como o MY ASIAN MOVIES, pra ter uma idéia por onde começar. (He, he, he, Jorge, depois dessa vou querer um DVD de presente, OK?)

 

Terça-feira, Dezembro 08, 2009

Beldades da Cultura Asiática - Koda Kumi











Esta lindíssima e voluptuosa cantora japonesa, foi uma sugestão do Dewonny. Mais informações AQUI.

Sábado, Dezembro 05, 2009

Kanchivaram (2008)

Capa

Origem: Índia

Duração aproximada: 120 minutos

Realizador: Priyadarshan

Com: Prakash Raj, Shreya Reddy, Sreekumar, Geetha Vijayam, Jayakumar

Vengadam

O tecelão Vengadam”

Sinopse

Em 1948, nas vésperas da independência da Índia, “Vengadam” (Prakash Raj) é um tecelão de seda que vive em Kanchivaram (também conhecida por Kanchipuram), uma povoação do estado de Tamil Nadu. Aquando do nascimento da sua filha “Thamarai”, “Vengadam” cumpre a tradição e, perante a sua esposa “Annam” (Shreya Reddy) e toda a vizinhança, faz uma promessa aos ouvidos da bebé. Contudo, o que sai da boca do homem deixa todos perplexos. “Vengadam” afirma que quando chegar a altura de a sua filha casar, a mesma o fará vestida com um sari de seda. Tal revela ser muito temerário, pois ninguém consegue perceber como é que um pobre tecelão, arranjará dinheiro para uma peça de roupa tão valiosa.

Vengadam e Annam

Vengadam e a esposa Annam”

Efectivamente, “Vengadam” possui algumas economias que conseguiu poupar durante muitos anos, mas o seu cunhado estraga-lhe os planos ao pedir-lhe o dinheiro para evitar a ruína. Sem outra saída, o tecelão começa a roubar do seu local de trabalho todos os dias, um pequeno pedaço de seda. Concomitantemente, vai tecendo em causa o sari. Para além de trabalhar para cumprir a promessa à sua filha, “Vengadam” começa a descobrir o comunismo, e desenvolve uma luta para melhorar as condições dos seus colegas tecelões.

Uma família feliz

Uma família feliz”

Review”

Escrever acerca de “Kanchivaram”, no “My Asian Movies” é uma oportunidade de ouro para desmistificar uma das ideias erradas que se tem acerca do cinema que se faz na Índia. Efectivamente “Kanchivaram” é uma película indiana, mas não de “Bollywood”. Trata-se de uma obra do cinema Tamil, também conhecido como “Kollywood”. Portanto, e correndo o risco de ser repetitivo, é de retirar de vez a ideia que “Bollywood” e cinema indiano são sinónimos. O que se passa é que a Índia possui muitas cinematografias, das quais “Bollywood” é apenas uma, embora a mais representativa. Feito este reparo, cabe prosseguir. “Kanchivaram” surpreendeu muito pela positiva. Além de ter vencido dois “National Film Awards” (Melhor Filme e Melhor Actor), os galardões de cinema mais importantes na Índia a par dos “Filmfare Awards”, teve a honra de ter sido dos primeiros filmes indianos a terem estreia internacional. Mais propriamente no prestigiado “Festival Internacional de Cinema de Toronto”.

O realizador Priyadarshan sempre foi mais conhecido por dar corpo a comédias ilógicas e “non sense”, tendo inclusive uma já ter sido abordada aqui no blogue. Falo do divertidíssimo “Hera Pheri”. Pelo exposto, parecia ser dos menos improváveis para lidar com uma película com um tom tão sério e profundo como “Kanchivaram”. De facto, estamos perante uma obra dotada de um argumento muito forte e bem plasmado no ecrã, que lida com temas interessantíssimos, tanto do ponto de vista social, como político. Nos rituais hindus, a seda é um símbolo de santidade e de ausência de mácula, sendo usada para purificar a alma em dois momentos essenciais na vida de uma pessoa, a saber, o casamento e a morte. É com base nesta premissa, que Priyadarshan constrói e desenvolve uma trama poderosa e tocante, que certamente não defraudará as mentes mais esclarecidas. O realizador faz uso de uma técnica que resulta muito bem e que consiste em começar “Kanchivaram” no presente, e em vários “flashbacks” que emanam da mente do tecelão, “Vengadam”, ir-nos apresentando a história de uma vida sob diferentes fundos e cores.

A filha de Vengadam

A bebé Thamarai, filha de Vengadam”

Outro aspecto sócio-político, que constitui uma parte muito importante da película, passa pela descoberta da ideologia comunista por parte de “Vengadam”. Influenciado por um professor e filósofo, que o doutrina, “Vengadam” insurge-se contra as condições precárias (para não dizer miseráveis) de que os seus companheiros tecelões e ele próprio são alvo. Os espancamentos, os parcos ordenados, o desprezo e desconsideração evidenciado pelo patrão, levam a que “Vengadam” se insurja e organize formas de luta, essencialmente a greve. Contudo, e aqui reside a ironia da vida, as razões do coração muitas vezes acabam por se sobrepor ao restante e “Vengadam” vê-se obrigado a uma escolha crucial. E essa mesma opção arranja-lhe dissabores e marca a sua existência para sempre.

As actuações dos intérpretes de “Kanchivaram”, são todas de excelente nível, com excepção do actor britânico que representa um abastado comerciante inglês. O seu amadorismo é, por demais, notório. O actor principal Prakash Raj, evidencia uma actuação notabilíssima, deixando para trás os seus costumeiros papéis de vilão, e abraçando um homem terno, valente e que tenta lutar contra preconceitos negativos enraizados no meio onde vive. Tudo com a força que advém do amor que sente pela filha e pela esposa, e dos ideais, quer se concorde ou não, que brotam de uma ideologia até então desconhecida para “Vengadam”.

Com a realização de “Kanchivaram”, Priyadarshan desfere um forte golpe na sua fama de realizador de obras sem conteúdo, ganhando mais respeitabilidade e abalando as nossas consciências pessoais. Poderá faltar ao filme alguma espectacularidade ou aura sumptuosa, própria do mundo de sonho de “Bollywood”, do qual esta película não faz parte. Não vive de coreografias previstas ao milímetro, até porque não possui nenhum tipo de dança, mas sim uma bonita canção de embalar. Isto tudo para dizer que a aura comercial é praticamente inexistente no filme. Agora uma coisa é certa. Trata-se de um drama profundo e impregnado de um enorme sentido de humanidade. Acresce o facto de “Kanchivaram” possuir uma aura educativa muito presente e que valoriza imenso a obra em questão. Por estas e outras razões, não restarão muitas dúvidas que “Kanchivaram” perdurará nas memórias de todos aqueles que se atrevam a visioná-lo. É apenas o constatar de um facto, nada mais.

Pai e filha

Pai e filha”

imdb Nota 8.6/10 (84 votos) em 5/12/2009

Outras críticas em português:

  1. Cinema Indiano

Avaliação:

Entretenimento – 7

Interpretação – 9

Argumento – 9

Banda-sonora – 8

Guarda-roupa e adereços – 7

Emotividade – 9

Mérito artístico – 8

Gosto pessoal do “M.A.M.” – 7

Classificação final: 8

Quarta-feira, Dezembro 02, 2009

“Testemunhos” de Nuno Pereira (“Nunices”)

Entrega de prémios 2º concurso 2

Antes de tudo, o Nuno Pereira, entrevistado de hoje, é um amigo. Desde quase o início da existência do “My Asian Movies”, sempre apoiou o administrador deste blogue, incentivando-o com palavras de força e elogio às já mais de 200 críticas que por aqui escrevi. Quis o destino que, aquando da edição do 1º concurso que lancei neste espaço, o Nuno vencesse e, como bom madeirense, fizesse questão de vir à terra-natal receber o merecido prémio, que gentilmente ofereceu a duas fervorosas apoiantes, que com ele formaram a “Santa Aliança”. Foi aí que conheci esta pessoa simpatiquíssima e fiquei seu amigo. Posteriormente, e aquando da disputada segunda edição do concurso anual do “My Asian Movies”, o Nuno, apesar de ter começado tarde na peleja, venceu outra vez, ganhando o estatuto de bicampeão. Ficam pois, já a saber, que o convidado de hoje é o “alvo a abater” (no bom sentido), na terceira edição do concurso que tentarei levar a cabo possivelmente no mês que vem (Janeiro de 2010). O Nuno, para além de ser um grande apreciador dos “cinemas orientais”, também anda nestas lides imensas da blogosfera. Possui um espaço denominado sugestivamente de “Nunices”, onde expõe as suas divertidíssimas histórias de vida, que são um regalo de ler. Para acederem ao blogue do Nuno, basta clicarem na foto acima, aproveitando para elucidar que foi tirada aquando da entrega do prémio que o Nuno venceu na segunda edição do concurso (À esquerda estou eu, e à direita está o Nuno com o dvd “My Sassy Girl”).

Abaixo segue o resultado da entrevista.

“My Asian Movies”: O que achas que distingue genericamente a cinematografia oriental das demais?

Nuno Pereira : A forma como os orientais “sentem” e nos transmitem a visão de realidades comuns a qualquer outra cultura.

“M.A.M.”: O que te fascina mais neste tipo de cinema?

N.P. : Fascina-me o modo como “filmam os sentimentos” e fascina-me a História Oriental que tão bem nos é mostrada nos épicos orientais.

“M.A.M.”: Tens ideia de qual o primeiro filme oriental que visionaste?

N.P. : Não me lembro do nome, mas foi sem dúvida nenhuma um filme de Kung-fu…provavelmente algum do Bruce Lee.

“M.A.M.”: Qual o país que achas, regra geral, põe cá para fora as melhores obras? No fundo, a tua cinematografia oriental favorita?

N.P. : Confesso que gosto muito dos clássicos japoneses que nos deram Ozu, Mizoguchi, Kurosawa, Oshima… mas gosto também do novo cinema Coreano, e dos grandes épicos chineses.

“M.A.M.”: E já agora, qual o género com o qual te identificas mais? És mais virado (a) para o drama, épico, wuxia, “Gun-fu”...

N.P. : O que mais gosto são os épicos, mas gosto também do Wuxia e Chambara , se bem que os dramas estão a conquistar-me cada dia mais.

“M.A.M.”: Uma tentativa de top 5 de filmes asiáticos?

N.P. : Oldboy; Ran- Os Senhores da Guerra; Herói; Os Sete Samurais; O Tigre e o Dragão ( a ordem é arbitrária) …mas ficam tantas obras primas de fora deste 5 que me recordei mais rapidamente…gostei do Slumdog Millionaire, por exemplo.

“M.A.M.”: Realizador asiático preferido?

N.P. : Como sabes, sou um fã de Zhang Yimou, mas não podia deixar de mencionar, como mínimo, os clássicos japoneses que mencionei acima e Wong Kar Wai , Kim Ki-duk e Park Chan-wook.

“M.A.M.”: Já agora, actor e actriz?

N.P. : Tony Leung….(e Toshiro Mifune )

..e a minha paixão platónica: Gong Li.

“M.A.M.”: Um filme oriental sobrevalorizado e outro subvalorizado?

N.P. : Sobrevalorizado… talvez: “The Host”

Subvalorizado… os de Kim-Ki-Duk….… e os de Ozu e de Mizoguchi (principalmente por ti…ehehehehe).

“M.A.M.”: A difusão do cinema oriental está bem no teu país, ou ainda há muito para fazer?

N.P. : Acho que tem vindo a melhorar, devido a alguns festivais no nosso país, mas é ainda muito desconhecido. No que respeita a edições em DVD é quase escandaloso, com excepção dos filmes do Jackie Chan e do Jet Li…basta ir à Fnac para confirmar.

“M.A.M.”: Que conselho darias a quem tem curiosidade em conhecer o cinema oriental, mas sente-se algo reticente?

N.P. : Que comece por ver filmes premiados em festivais, e que tente variar no estilo do filme e no realizador. É o que faço a quem me pede para ser “iniciado” no cinema oriental, empresto um épico de Zhang Yimou, um clássico japonês, um drama de Wong Kar Wai ou de Kim Ki-duk, um de acção como “Infiltrados”…

 

Terça-feira, Dezembro 01, 2009

Beldades da Cultura Asiática - Yu Aoi









Mais informações sobre esta bela e muito talentosa actriz/modelo japonesa AQUI.

Domingo, Novembro 29, 2009

Crows Zero/Kurôzu Zero – クローズ (2007)

Capa

Origem: Japão

Duração aproximada: 130 minutos

Realizador: Takashi Miike

Com: Shun Oguri, Kyôsuke Abe, Meisa Kuroki, Takayuki Yamada, Sansei Shiomi, Ken'ichi Endô, Gorô Kishitani, Kenta Kiritani, Sousuke Takaoka, Yusuke Kamiji, Tsutomu Takahashi, Suzunosuke, Kaname Endo, Sunsuke Taido

Genji rodeado dos seus lugares-tenente

Genji rodeado dos seus lugares-tenente”

Sinopse

“Genji Takaya” (Shun Oguri) é um estudante que foi transferido para o liceu “Suzuran”, considerado a escola mais violenta de todo o Japão, onde “gangs” de estudantes digladiam-se constantemente pelo controlo do estabelecimento. Embora não domine todo o território, o estudante mais temido é “Tamao Serizawa” (Takayuki Yamada), que é conhecido pela sua especial ferocidade que emprega nas lutas, apesar do seu ar inocente. “Genji” começa a dar nas vistas quando sozinho derrota quatro Yakuza, e coloca sob o seu domínio uma das classes, anteriormente chefiada por “Chuta” (Suzunosuke).

Serizawa e o seu gang 2

Serizawa e o seu gang”

“Genji” cai nos bons auspícios do Yakuza “Ken” (Kyosuke Abe), que o aconselha da melhor forma a subir na hierarquia de “Suzuran”. O rapaz, juntamente com “Chuta”, começa a juntar correligionários e a unir facções rivais, de forma a poder ombrear com “Serizawa”. No desígnio, consegue cativar líderes de outras classes, tais como o alucinado, mas leal “Makise” (Takahashi Tsutomu) e o calculista “Izaki” (Sousuke Takaoka). Pelo meio, “Genji” apaixona-se pela bela “Ruka Aizawa” (Meisa Kuroki). “Seizawa” apercebe-se da ascensão de “Genji” no meio, e prepara-se para defender a sua supremacia. Um embate demolidor aproxima-se.

Ken Katagiri e os yakuza

Ken Katagiri e os companheiros yakuza”

“Review”

Baseado na popular manga shonen “Crows”, de Hiroshi Takahashi, o profícuo Takashi Miike faz uma incursão no mundo da juventude delinquente e rebelde, com muita acção e violência à mistura. Dizem os entendidos que o filme é uma fiel adaptação do espectro geral da banda-desenhada, embora se passe numa altura anterior ao enredo ali presente. Confesso que nunca tive a oportunidade de passar os olhos pela manga, pelo que neste particular abster-me-ei, dando tal facto por assente até prova em contrário. À altura, “Crows Zero” constituiu o maior sucesso de bilheteira do realizador, e não é difícil perceber porquê. Trata-se de uma obra muito comercial, cheia de ídolos dos adolescentes japoneses, dos quais se destaca o actor principal Shun Oguri, muito apreciado sobretudo pelo público feminino. A “comercialidade” deste filme levantou várias reticências na crítica e fãs mais puristas de Miike, não fosse o realizador encarado como um “enfant terrible” do actual paradigma cinematográfico nipónico.

O crescendo da fama de Miike, inclusive nos meios internacionais, implica naturalmente a atracção dos grandes estúdios e a possibilidade de obtenção de orçamentos acima da média. Embora existam uma grande diversidade de opiniões, no tocante ao relacionamento destes aspectos com o resultado final em “Crows Zero”, sempre irei pelo meio termo, correndo o risco de ser acusado de “uma fuga para a frente”, ou da resposta fácil. Sendo perceptível que a faceta de um maior número de potenciais apreciadores aumenta em “Crows Zero”, numa relação com anteriores obras de Miike, sempre se reconhecerá que alguns traços típicos do cinema do realizador como a abordagem frontal (embora não visceral) e violenta marcam a sua presença.

Luca Aizawa e Genji

Luca Aizawa e Genji”

Como já acima aflorei, “Crows Zero” é uma longa-metragem que lida com um tema que normalmente tem bastante aceitação no público, principalmente no mais jovem, que passa pela adolescência conturbada que degenera em violência, à semelhança de uma qualquer luta animal ou animalesca que vise a conquista de um grupo determinado. Sendo uma película a explodir de testosterona, sempre tem os seus momentos mais profundos, que passam sobretudo pelas delicadas relações entre os intervenientes. Mesmo assim, esta última premissa assume natureza de excepção. Quem aqui dita a lei são os punhos, com um exagero claramente requisitado, mas com uma capacidade de entretenimento muito elevada. As cenas de acção estão geralmente bem coreografadas, com aspectos claramente hiperbólicos onde são quebradas algumas leis da física, mas aceitáveis face ao espectro geral desta obra. Socos demolidores, pontapés que seriam capazes de deitar abaixo uma parede de tijolos, uma resistência à pancada fora do normal e afins. O aspirante a visionar “Crows Zero” irá deparar-se com um misto de realidade por vezes grotesca, com um enxerto algo fantástico, mas devidamente ali enquadrado.

O ambiente de banda-desenhada encontra-se bastante presente, com as caretas e trejeitos do costume a pontificar e que confere alguma comicidade ao filme. A banda-sonora acompanha fielmente toda a aura rebelde e “carpe diem” da película, com faixas que vão desde o hip-hop interpretado ao vivo pela actriz Meisa Kuroki, até ao “Punk Rockabilly” dos “The Street Beats”, de que recentemente dei conta aqui, colocando um vídeo de uma música que gostei particularmente, intitulada “Eternal Rock n' Roll”, e que ilustra o genérico final do filme.

Com actuações agradáveis de Shun Oguri e Cia., onde desponta muito mais o estilo “fixe” e de impressão à primeira vista, do que algum laivo de genialidade técnica, “Crows Zero” acaba por se revelar uma agradável proposta no segmento do entretenimento. Estará longe de constituir uma das obra de referência de Takashi Miike, mas atrairá imenso a generalidade do público pela sua irreverência. Afinal quem é que resiste a uma história de adolescentes rebeldes, a transbordar de carisma e onde cada dia é vivido como se fosse o último? Acrescente-se uns pequenos condimentos de romance, música da “desbunda”, uma pequena história Yakuza paralela, e o truque está feito.

Ideal para um domingo à tarde!

O liceu Suzuran

O liceu Suzuram”

imdb Nota 6.9 (1.024 votos) em 29/11/2009

Outras críticas em português:

  1. Cine Dewonny

Avaliação:

Entretenimento – 9

Interpretação – 7

Argumento – 7

Banda-sonora – 8

Guarda-roupa e adereços – 8

Emotividade – 9

Mérito artístico – 7

Gosto pessoal do “M.A.M.” – 7

Classificação final: 7,75

Quarta-feira, Novembro 25, 2009

“Testemunhos” de Battosai (Batto presenta…)

Imagem

Esta semana, vamos ter o primeiro convidado, que se expressa em língua espanhola. Falo de “Battosai”, um residente na cidade de Valladolid, o administrador do blogue “Batto presenta…” (carregar na foto, para aceder) e colaborador do “PUNTASIA”. Conheci (virtualmente falando) o “Battosai” na segunda edição do concurso anual que levo a cabo no “ My Asian Movies”, tendo logo se revelado um concorrente destemido e conhecedor de cinema oriental a rodos, classificando-se em 3º lugar e com direito a prémio. Desde então, o entrevistado de hoje é um assíduo frequentador do meu blogue, e enriquece-o bastante com os seus comentários pertinentes, sejam de concordância ou não. O espaço principal do  “Battosai” é, à semelhança de outros pertencentes a entrevistados anteriores, possuidor de uma elevada qualidade. Embora não se dedique por completo ao cinema oriental, o que confere uma agradável diversidade, tem  uma componente asiática muito forte e variada.

A foto que ilustra esta entrevista, exibe a grande admiração que o “Battosai” nutre, e tenho a certeza que não é o único, pelas beldades que pontificam no cinema oriental.

Abaixo segue a entrevista com um ilustre representante de “nuestros hermanos”.

“My Asian Movies”: O que achas que distingue genericamente a cinematografia oriental das demais?

Battosai: El cine occidental me da la sensación de estar hecho (en general, por supuesto siempre hay excepciones) para el consumo inmediato y masivo, preocupándose principalmente por obtener un buen rendimiento en taquilla. En el oriental, y aunque lógicamente también quieran ganar dinero, que de eso viven, los directores parecen más preocupados por poner en imágenes lo que tienen en mente que los de occidente. Gracias a eso nos encontramos con que se atreven a hacer cosas que sería impensable encontrarse en una filmografía occidental.

“M.A.M.”: O que te fascina mais neste tipo de cinema?

B. : La facilidad con la que consigue emocionarme y la calidad de sus actores.

“M.A.M.”: Tens ideia de qual o primeiro filme oriental que visionaste?

B. : Hace tanto tiempo que no estoy seguro, pero el primero que recuerdo haber visto es “Mi vecino Totoro”.

“M.A.M.”: Qual o país que achas, regra geral, põe cá para fora as melhores obras? No fundo, a tua cinematografia oriental favorita?

B. : Si tengo en cuenta tanto cine clásico como contemporáneo me quedo sin duda con el japonés. Sin embargo, si considero solo el cine actual, la cosa cambia. En conjunto sigo prefiriendo el japonés, pero si pienso en mis películas preferidas, predominan las coreanas.

“M.A.M.”: E já agora, qual o género com o qual te identificas mais? És mais virado (a) para o drama, épico, wuxia, “Gun-fu”...

B. : Me cuesta mucho decidir, ya que veo de todo y en todos los géneros encuentro filmes que me fascinan. Lo único que tengo claro es que el género que menos me gusta es el de terror. En cuanto al que más, quizá sea el de amor, tanto dramas como comedias románticas, pero es curioso que esto ocurre solo con el cine oriental, mientras que en el occidental prefiero otros géneros.

“M.A.M.”: Uma tentativa de top 5 de filmes asiáticos?

B. : Buf... “Rashomon” y “Los siete samuráis” (Shichinin no Samurai), de Akira Kurosawa; “El intendente Sansho” (Sansho Dayu), de Kenji Mizoguchi; “Dolls”, de Takeshi Kitano; y “Hierro 3” (Bin-jip), de Kim Ki-duk.

“M.A.M.”: Realizador asiático preferido?

B. : Akira Kurosawa.

“M.A.M.”: Já agora, actor e actriz?

B. : Voy a decir uno de cada, pero que conste que si respondiera en otro momento probablemente diría a dos diferentes, ya que hay unos cuantos buenísimos que me encantan y entre los que me cuesta mucho decidir.

Actor: Toshiro Mifune. Actriz: Gong Li.

“M.A.M.”: Um filme oriental sobrevalorizado e outro subvalorizado?

B. :All About Lily Chou-chou” y “The Host” (al menos en España no gustó demasiado), respectivamente.

“M.A.M.”: A difusão do cinema oriental está bem no teu país, ou ainda há muito para fazer?

B. : Queda muchísimo por hacer. Hay algunos festivales o ciclos dedicados a cine asiático en las principales ciudades, pero comercialmente con distribución a nivel nacional solo se pueden ver películas de unos pocos directores (Yimou, Kitano, Miyazaki, Kim Ki-duk, Bong Joon-ho, Park Chan-wook y poco más) o películas que hayan ganado el Oscar de extranjera o algún premio importante en Cannes, Venecia o Berlín. Y encima lo poco que llega se suele estrenar muy tarde, a veces con años de retraso.

“M.A.M.”: Que conselho darias a quem tem curiosidade em conhecer o cinema oriental, mas sente-se algo reticente?

B. : Lo primero, que empiece por aquellas películas que gustan a casi todo el mundo, como pueden ser “My Sassy Girl” o “Red Cliff”; con las que hayan tenido un relativo éxito en occidente, como “Despedidas” (Okuribito) o “La princesa Mononoke” (Mononoke Hime); o con aquellas de las que se haya hecho un remake en Hollywood, que si lo hacen es porque la película es fácilmente accesible a nuestro público. Si le gustan esas, entonces ya debe ir cambiando poco a poco a cosas más típicas de allí y distintas del cine occidental, de manera que cuando acabe viendo las obras asiáticas más personales, diferentes y quizá extrañas para un espectador de aquí no se asuste, ya que se habrá ido acostumbrando gradualmente. Si se le pone directamente una de ese tipo se corre el riesgo de que huya espantado y no vuelva a ver una película de Asia en su vida.